seja talvez a ultima vez, então que assim o seja. tens o brilho nos olhos de um puto charila, mas o coração esmagado que nem uma criança abandonada. hey, eu sou uma mulher, ou melhor, uma menina. tenho o direito de ser feliz, tal como te faço, ou não ? ouves tudo o que te digo, eu sei que ouves, parece que não, parece que colocas as tuas mãos sobre os ouvidos e te escapa tudo por entre elas, constroem um muro que nos separa como seres tudo menos caóticos. tira as fantasmas mãos, no que elas te ajudam afinal ? chega de fugires da realidade, chega de fingires que não brilhas;
brilhas tanto como a lua cheia no céu com nuvens cinzentas, brilhas tanto como a estrela que está lá em cima, sempre a olhar por ti. mas então; não percebo! vou-me embora, quando mais precisares vais-me chamar ? tenho uma pequena angústia dentro de mim, um pequeno sonho que me atormenta, pelo facto de te deixar tão descoberto, tão sem rumo.
tiras-me a vontade de levantar, de me alimentar dia após dia, preciso de te ver de novo, com um enorme sorriso na cara, preciso de voltar a ouvir gritar o meu nome quando mais temias o que pode-se acontecer, como se nada existisse, como se ninguém fosse tão simples quanto eu, como se fosse a única na tua vida. preciso de voltar a dar-te a mão, levantar-te e dizer 'anda, vem comigo, vou-te ajudar a ultrapassar isto, somos fortes'; és tão jovem e já tens tanta tristeza no olhar, tanto ódio no coração. tudo para quê ? preciso de ti como eras, com toda aquela energia que por de manhã me acordava com enormes sorrisos, com uma chamada anónima ('hoje pago eu o almoço na condição de me dares um enorme abraço').
porque será que não te consigo deixar depois de me teres deixado ? agora quem se sente inútil sou eu. sou voluntária, num projecto oculto, valorização doida, sinto por ti admiração, mesmo sem o perceberes, mas neste momento aprendi: não cuido sem ser cuidada, seja justo ou não, não sofro mais.
não consigo seguir um caminho diferente do teu. vou-te proteger, como disse a primeira vez que te dirigis-te a mim a chorar, para sempre.
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